Uma beleza de bancada
Maio 14, 2008
Não é preciso nenhuma análise muito criteriosa para perceber o quão pífia é a atuação da bancada de Alagoas no Congresso. Basta sintonizar na mídia para se deparar com situações que só reforçam porque certos alagoanos fazem desse estado uma República da Jaca Mole.
O deputado federal Cristiano Matheus, por exemplo, apesar de empossado no cargo há mais de um ano, ainda não sabe o que quer da vida. Duelando entre a carreira de repórter policial e a de parlamentar, ele parece ter mais gosto em exercer a primeira, entrevistando bandidos pés de chinelo para o policialesco Oito Minutos.
Talvez seja o repórter mais bem pago de Alagoas, se incluídos os proventos de deputado. Projetos como parlamentar? Perdoe a ignorância, mas não conheço nenhum. Talvez porque não haja mesmo nenhum.
Outro que caiu no ostracismo e ressurgiu da pior forma possível foi o deputado Francisco Tenório. Pelo menos os colegas devem a ele o empurrãozinho que levou o processo da CPI do Crime Organizado para o STF. Se não fosse o mandato…
A atuação de Chico Tenório na Câmara é tão produtiva quanto os discursos do deputado Zé Pedro na Assembléia Legislativa. Nem quando foi acossado pela PF o deputado federal deu a cara para se defender. Já diz o ditado: quem cala…
A pasmaceira não é diferente no Senado. Vide Euclides Mello, suplente ad infinitum de Collor. Na visão do neo senador, Alagoas só deveria ter um município: Marechal Deodoro. A fissura de Euclides em governar a cidade já anda beirando o ridículo, ao ponto de querer transferir pra cá, de forma temporária, a capital federal. Sem falar no bate-boca que volta e meia tem com o prefeito gabiru Danilo Dâmaso.
Tem ainda o usineiro João Tenório, que se preocupa demais com o “macro” e esquece os assuntos mais “micros” diretamente ligados a Alagoas. Coisa de tucano pensar sempre “muito grande”. A última do senador foi um parecer favorável ao projeto de lei “que determina a obrigatoriedade do uso e da manutenção de sinalizadores ou balizadores aéreos de obstáculos nas zonas de proteção dos aeródromos”.
É ou não é uma beleza de bancada?
Entry Filed under: Política. Etiquetas: Alagoas, Bancada, Congresso.
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1.
Diego Barros | Maio 14, 2008 at 12:37 pm
Realmente é uma beleza de bancada sim. Nunca vi tão ridícula. Não entendo porque o povo alagoano insiste em eleger essas figuras grotescas e incapazes para cargos que, teoricamente, são tão importantes para o desenvolvimento e emancipação dos cidadãos.
Onde já se viu votar em Cristiano Mateus para deputado? Que interesse ele deve ter em exercer um cargo público? Ao que se ver, esses políticos são carreiristas, ou seja, querem apenas aumentar sua influência e obter algum patrimônio. Outra situação que considero revoltante é o fato de alguém receber a confiança de milhares de eleitores para exercer um mandato de quatro anos e abandoná-lo, após dois anos de “mamata”, para se candidatar a outro cargo. Isso é falta de respeito com os eleitores.
Ainda em relação ao deputado-repórter (ou seria repórter-deputado?), acredito que nem com um microfone na mão entrevistando malandro ele se sai bem. Parece uma figura tosca, tentando, às vezes, intimidar o mau elemento detido pela polícia que está em sua frente sem nem saber o que dizer em sua defesa.
Ou outros deputados de Alagoas não perdem para o Mateus em falta de trabalhos apresentados em benefício dos alagoanos – ou pelo menos não os divulgam. O que fazem os demais deputados? No fim de tudo, acho que dá trabalho administrar uma verba de gabinete de mais de 50 mil reais mensais e 15 salários por ano, além de auxílio-tudo (passagem, moradia, veículos)…
2.
Sérgio Coutinho | Maio 14, 2008 at 12:42 pm
Talvez por isso um fenômeno estranho esteja acontecendo na mídia. A Assembléia Legislativa de Alagoas caiu e o Brasil não se importou. No máximo, ganhamos notinhas rápidas em jornais impressos. Por mais escandaloso que seja para nós o que por aqui ocorra, nossos representantes não parecem fazer diferença nacionalmente.
3.
Alagoana Indgnada | Maio 20, 2008 at 9:40 pm
Concordo com o Euclides, Alagoas deveria ter apenas um município. Assim a Polícia Federal teria menos trabalho para prender tanto político corrupto. E quando prendesse seriam poucos:apenas o governador e um prefeito. Depois disso acabaria de vez com o Estado (não falta muito) e devolveria para Pernambuco. Mas, a pergunta que não quer calar… Será que eles aceitariam?
É triste, muito triste… mas é verdade.