A Igreja Católica e as brechinhas

Maio 8, 2008

A Igreja Católica e seu colegiado de bispos são mesmo uma graça. Não perdem nunca uma brechinha no noticiário para fazer o que sabem de melhor: pedir. Pede-se praticamente tudo o que for abstrato – porque de concreto mesmo só o santo dízimo. Apela-se para a paz, para o fim da violência e agora, para não sair do ritmo, pede-se o fim da corrupção, tendo a Taturana como “a brechinha da vez na mídia”.

No inicio da semana, a Arquidiocese de Maceió, via dom Antônio Muniz, fez publicar em alguns jornais – especialmente a Gazeta – uma nota imensa mostrando a posição da Igreja sobre os últimos acontecimentos nada ortodoxos da política.

O documento surge para os alagoanos da mesma forma que as aparições do papa nas sacadas do Vaticano e nas manchetes dos jornais. “Bento XVI pede paz aos muçulmanos”. “Papa pede respeito à vida desde a concepção”. “Bento XVI pede calma aos credores americanos”. De resto, só sobra mesmo um “amém” no final e a torcida para que a pombinha branca viva o suficiente para testemunhar os milagres.

Já que ninguém mais pode ser queimado em praça pública, como na Inquisição, talvez a Igreja possa ajudar exorcizando os lugares por onde passam os corruptos (ou até mesmo os próprios corruptos). Pode até faltar água benta, mas não vai faltar serviço.

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  • 1. Mário  |  Maio 11, 2008 at 12:32 am

    Quando a Igreja católica fala ela o faz aos seus seguidores. Ninguém, fora da Igreja, é obrigado a seguir o que ela preconiza. Enfim, não se trata de procurar uma “brechina na mídia”, mas tão somente de mostrar qual deve ser a postura cristã frente aos problemas concretos do mundo. Quanto ao fato do Papa se dirigir aos credores americanos ou aos muçulmanos, ele o faz com a prerrogativa de qualquer chefe de estado.

    Outro detalhe. A forma sarcástica - aliás, marca registrada desse blog - que procura vincular à Igreja uma imagem de uma instituição piegas, oportunista e alienada, que vive de conclamar as pessoas a seguir conceitos vagos, abstratos, está muito longe da realidade de quem procura viver os princípios do cristianismo da forma como Cristo estabeleceu. Querer ser sarcástico por conta da conduta imprópria de padres, pastores, bispos, tanto de hoje, como de outros tempos, é ignorar, os princípios básicos sobre os quais se assenta o cristianismo, e sua importância para construçaõ dos valores que norteiam a moral e a ética no ocidente (valores, aliás, bem fora de moda, atualmente). É fingir que não vê o valor dos benefícios advindos da vida exemplar de inúmeros cristãos que, ao longo da história, foram exemplos de abanegaçaõ, renúncia, amor e dedicação ao próximo num nível que o prezado articulista - e isso deduzo por conta do teor daquilo que escreve - sequer pode imaginar.

    O fato é que o artigo tece críticas com base em conhecimento superficial e preconceituoso, apenas cuidando de repetir críticas à Igreja, lugar comum em jornais, revistas e na tv, que no geral prefere ater-se às mazelas de uma instituição conduzida por homens - e por isso mesmo sujeita a falhas - e esquecer os princípios e valores profundos do cristianismo.

    Não sei se é por ignorância, má vontade, ou mesmo norteado pela crença que “religião é ópio do povo”, tal como preconizam as filosofias de cunho materialista, que o articulista procede dessa forma, caindo no erro de ver apenas as superfície sem ir a fundo na questão tratada (na verdade, admito que há muitos padres, bispos e pastores qeu são doidinhos por holofotes, mas o erro está em identificar isso como uma postura “´católica”). Quanto ao fato de que mundo produzido pelas ideologias políticas nascidas da mentes iluminadas pelo materialismo dialético produziram em menos de um século os maiores genocídios de toda história humana, é raro encontrar quem queira falar a respeito. O mundo daqueles que foram libertos dos grilhões impostos pela fé foi um mundo mostruoso e desumano. Mas prefirimos não parar para pensar nessas coisas, continuando na nossa crítica supercial, repetindo os chavões de sempre e angariando a simpatia geral.

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