A propaganda eleitoral começa nesse domingo e quem já saiu na frente foi o governo do estado. Mas a eleição não é municipal? É, mas a candidata tucana à prefeitura de Maceió, Solange Jurema, precisa de um empurrãzinho do Palácio República dos Palmares. E a melhor forma de fazer isso é minando, de forma subliminar, a gestão do prefeito Cícero Almeida.
Os ataques devem vir velados e em doses homeopáticas, como pode ser notado num anúncio do governo publicado nesse domingo na Gazeta de Alagoas. Em duas páginas, a publicidade ostenta a seguinte frase de uma ponta a outra do jornal: “É assim que o governo vai fazendo o que nenhum outro fez por Maceió”.
Percebeu a maldade no “nenhum outro fez por Maceió”? Pode parecer cisma do blog, mas é muito raro ver uma propaganda do governo do estado voltada apenas para a capital. Boa parte delas fala das ações realizadas no Estado como um todo, inclusive citando alguns municípios.
Porém, na mesma semana em que são anunciadas as candidaturas para prefeito, a comunicação do governo se volta exatamente para a capital, enumerando uma série de obras estruturantes e de forte apelo político para um ano eleitoral.
Mas talvez os tucanos só estejam querendo ser honestos com o contribuinte. Honestidade é com eles mesmos.
Julho 6, 2008
Depois da PF descobrir um cemitério clandestino numa fazenda em Rio Novo, é só sentar e esperar a fuga em massa de gente metida com a pistolagem em Alagoas. Ou você acha que depois de hoje vai ter gente esperando a PF em casa para tomar café da manhã?
Passaporte, por favor.
Junho 26, 2008
A idéia parece absurda – e de fato é. Mas como sonhar nunca deixou de ser de graça, a idéia em questão é a de que eu, você e todos os alagoanos deveríamos ser indenizados pelo Poder Legislativo. Indenizados por danos morais e materiais, gerados por uma série de motivos que só 300 milhões de reais conseguem comprar.
Mas como essa fatia já foi mordiscada, de onde então viria o dinheiro para a nossa indenização? Ora, da verba de gabinete dos parlamentares. O neodeputado Dino Filho já deu o aviso: anda sobrando dinheiro no repasse das verbas de custeio dos gabinetes.
O erro do deputado foi devolver o dinheiro para o “saco sem fundo” em que se transformaram as finanças da Casa Tavares Bastos. No meu cenário hipotético, talvez fosse mais digno rifar o excedente (como se fosse possível falar em excedente numa verba total de R$ 39 mil).
Rifado, sorteado ou dado, não importa. Eu quero a minha indenização, seja ela os 10 mil reais do Dino, do Judson, do Rui, do Toledo, do Ferreira…
Junho 26, 2008
Crise no Legislativo de Alagoas? Assassinato de jovens em favela do Rio? Isso tudo é assunto do passado para o senador Fernando Collor, que usa a tribuna do Senado para debater temas bem mais atuais, como…
-

-
Próximo tema: “como o Parlamentarismo poderia ter salvo o meu mandato”
Junho 26, 2008
A inauguração do Viaduto de Mangabeiras (é assim que ele será sempre chamado) descortinou mais que uma nova obra em Maceió. Revelou também a necessidade que o empresário João Lyra tem de ser constantemente tratado como aquilo que nunca foi: uma autoridade máxima, daquelas que ocupam um cargo público onde não cabe mais ninguém acima.
O usineiro falou por quase uma hora e meia na inauguração do viaduto. Um recorde talvez permitido só para um presidente, governador… (e mesmo assim haja paciência!). Para completar a cena “discurso de posse”, porque só os discursos de posse são tão sacais, teve ainda fogos e mais fogos de artifício. Por uns instantes foi Réveillon fora de época em Mangabeiras.
E olha que é só um viaduto, uma obra onde os maceioenses vão andar de carro e pensar: eu passei por cima do João Lyra.
Junho 24, 2008
Seria o indiciamento do vereador Arnaldo Fontan o pontapé inicial para deflagrar a “Operação Tatuzinho”? O leitor de boa memória sabe que essa expressão não foi cunhada pelo Visgo, mas sim por alguns poucos vereadores da Câmara de Maceió durante uma dessas rodas de amigos.
E por falar em roda de amigos, a conversa nos senadinhos da capital agora deve ser só uma: o DEM também vai expulsar Fontan, a exemplo do que fez com o deputado Antônio Albuquerque? Não custa lembrar que o presidente da Câmara chegou até a ser cogitado pelo partido para ser vice de Cícero Almeida.
Pois é. Parece que quem pulou uma fogueira nesse São João foi o prefeito.
Junho 23, 2008
É quase impossível assistir ao filme “O Homem da Capa Preta” e não confabular uma série de analogias com o atual cenário político alagoano. Exibido sábado pelo Canal Brasil, o longa gravado em 1986 conta a trajetória do deputado Tenório Cavalcanti, que nos anos 50 e 60 ficou famoso por desafiar os adversários com uma metralhadora que carregava sob uma capa preta.
Tenório Cavalcanti nasceu em Palmeira dos Índios, mas foi em Caxias, no Rio de Janeiro, que o “deputado pistoleiro” fez carreira política, deixando um legado analógico com a terra natal.
Comparadas aos dias de hoje, algumas cenas do filme parecem provocar a nossa imaginação. Uma delas é quando um novo delegado assume o policiamento na região, o que deixa Tenório cismado e intrigado quanto ao seu poder de influência em Caxias.
-
Analogia 1 – Forte semelhança com a chegada de Pinto de Luna a Alagoas. O delegado do filme sai do Espírito Santo e vai para o Rio de Janeiro tentar acabar com a pistolagem em Caxias. Antes de chegar a Alagoas, Luna também fez uma limpeza no Espírito Santo, numa dessas operações da PF.
O filme tem ainda inúmeras cenas de pistolagem, como a tentativa de assassinato durante um evento público e fuzilamento dentro de um carro no meio da rua.
-
Analogia 2 – A cena do evento público nos remete a morte do vereador Fernando Aldo, assassinado no encerramento do Mata Grande Fest, carnaval fora de época do interior. Já o fuzilamento no meio da rua lembra o caso do vice-prefeito de Pilar, Beto Campanha, morto à luz do dia na Avenida Durval de Góes Monteiro.
A metralhadora de Tenório Cavalcanti - a qual ele tinha o maior apego – era carinhosamente chamada de “Lurdinha”.
Muita gente não sabe, mas o nome completo do deputado era Natalício Tenório Cavalcanti de Albuquerque.

Mais do que meras semelhanças curiosas, o filme também é repleto de frases famosas do “deputado pistoleiro” – que assim era chamado pelos próprios adversários políticos. A mais emblemática delas é “Eu sou um câncer que mata. Pior é você, que é uma lepra, que só deforma e não mata!”. Outra: “Uso barba porque na minha terra [Alagoas] ela é sinônimo de gente que não tem vergonha na cara”.
Aliás, a barba de Tenório até que renderia uma Analogia 5…
Junho 22, 2008
Não faz muito tempo o blog levantou a questão quanto à atuação da bancada de Alagoas no Congresso. A inexpressividade gritante dos nossos deputados foi o mote do post, intitulado “Uma beleza de bancada”.
Duas semanas depois, a bancada alagoana na Câmara mostrou porque continua uma beleza só: com exceção de Chico Tenório (sabe-se lá porque), todos os demais deputados da República da Jaca Mole votaram a favor da famigerada CSS, a nova roupagem que o governo Lula decidiu criar para a extinta CPMF.
Tudo será diferente no Senado? Talvez sim, talvez não. Mas é pouco provável que o mérito por um possível “sim” seja creditado a algum dos nossos senadores. É esperar pra ver.
Junho 21, 2008

Cantarolar é fácil. Quero ver ajoelhar no milho.
Junho 20, 2008
Não é nenhum exagero classificar o passar dos dias na ALE como capítulos de uma novela. As sessões acabam sempre com alguma “deixa” para o dia seguinte. O episódio da vez tem como pano de fundo a contradição. Ou melhor, contradições. Se não, vejamos:
1. A Casa Tavares Bastos vive às turras com o Poder Judiciário desde que Sapucaia fez o que já é sabido – e comemorado - até pelos sertanejos dos lugares mais remotos de Alagoas. O azedume de vez da relação entre os dois Poderes foi a decisão judicial que meteu a tesoura no duodécimo da Casa. Porém, num exemplo clássico de morde-e-assopra, os deputados aprovaram essa semana não uma, mas duas moções de congratulação aos novos desembargadores do Tribunal de Justiça. Apesar de cada moção ter sido proposta por deputados diferentes, o aval teve que partir do plenário, incluindo aí até gente indiciada e que anda criticando o… Judiciário. Detalhe: a aprovação foi unânime.
2. A Assembléia Legislativa realiza nessa sexta-feira mais uma daquelas sessões improdutivas sobre Segurança Pública (a improdutividade vale também para a Câmara de Vereadores). No entanto, esquecem os deputados que só a Casa Tavares Bastos tem mais de 80 policiais militares à sua disposição. É quase um mini-batalhão de profissionais que podiam estar nas ruas a serviço da população, e não apenas de uma minoria que já mostrou saber muito bem como se defender e atacar. Talvez até mais atacar do que defender…
Qual será o próximo capítulo? Ressuscitar o acesso dos deputados ao SIAFEM?
Junho 19, 2008